1 de abril de 2008

Auto-retrato

Sou assim, um vulcão adormecido:
Uma estrofe de canção
um acorde no violão
um pedaço de papel
muita tinta no pincel
e uma caneta na mão.
Muito colorida
pouco organizada
sempre de partida
e procurando uma morada.
Observo, avalio e pondero
não julgo, mas muitas vezes condeno
não entendo e nunca ordeno.
Excluo da mesma forma que incluo
esqueço o que não gosto,
o que foi mal e o que lembrar não posso.
Não sei dizer não
não sei ficar sem chão
me perco quando o amor vira bola de sabão.
Gosto de gente humilde
de gente simples e de gestos simples,
não gosto de pompa
nem de multidão,
muito menos de café forte
ou de manteiga no pão.

Sou assim, um vulcão em erupção:
Derramo lavas de paixão
no silêncio de minha emoção
me queimo no fogo ardente
das notas quentes da razão.
Me irrito sempre porque sempre facilito,
e pra ter paz eu até grito.
Da verdade eu tiro até o bagaço
e dela faço um laço
que me amarre na liberdade,
que me afaste do fracasso
e abençoe tudo o que faço.
Não suporto mentira e falsidade
gente que usa
gente que abusa
e gente que gruda.
Amor pra mim não tem idade
e o que mais vale é a felicidade.
Se me apertam eu choro,
mas se me tocam eu grito,
tenho medo de altura,
e detesto tudo que é mito.
Espero sempre muito tempo
e por isso dizem que sou paciente
mas na verdade apenas espero
deixar o tempo esfriar minha mente.
Sou por vezes demasiadamente passional,
e por outras exageradamente racional
e do jeito que acredito acredito,
fica o dito pelo não dito.
Choro a noite escondidinho
a frustração do tempo perdido
a falta do que me foi roubado
a dor de um coração partido.
Tenho saudades dos sonhos sonhados,
e dos sonhos não realizados,
dos sonhos perdidos,
e dos que nunca foram encontrados.
Tenho saudades do que não fui
do que não fiz,
do que não vi,
do que não vivi,
e me pergunto sempre porque parti,
afinal, vim dali e cheguei aqui.

Sou assim, um vulcão antigo, perdido, apagado,
mas falta pouco para que ele faça muito estrago.

Então me dizes : Tu, quem és ?

7 comentários:

  1. Eu queria ser um pouco assim... como você!


    beijos daqui...

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  2. Oie minha amiga...

    Lindo poema!!!

    Eu sou flor despedaçada pelo vento,
    Galho velho querendo renascer de uma chuva,
    Mulher sempre menina com medo de crescer...
    Triste e alegre de estar aqui mais um dia...
    Boba e timida, Esperta e sagaz...
    Lagrima constantemente corrente em meu rosto, sendo amparado por tantos que me querem bem...

    Eu sou Somente EU mesma!!! Janaína

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  3. Eu amo manteiga no pao. Ainda mais quando o pao está quentinho, rs.

    Tudo bem querida?

    Por aqui está bem melhor agora que os passarinhos comecam a cantar saudando a chegada da primavera!!!

    Grande beijo

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  4. Minhã querida irmã,

    Precisamos desse seu vulcão sempre aceso e encandescente. Não deixe e nem permita sua alma secar.

    Discordo de um ponto: Você é um vulcão novo, com muita energia, muita sensibilidade e já começou a fazer (não estrago) mas muito bem, para muita gente!

    Quem segurará o caminho do amor? Como lavas à procura dos mares, Sant'Alice sabe de sua missão.

    Precisamos desse vulcão - hoje tivemos duas perdas (espero momentâneas) e sua responsabilidade aumentou!

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  5. Amor, o nosso amor continua encandescente e o vulcão do pensar ardente.

    Ti amo, beijão

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  6. Olááá,
    lindo poema Aliceee...
    aliás, vc escrever muito bem!
    E que não deixemos a chama da vontade de viver se apagar em nós, nem q esse vulcão entre em erupção, mas seja derramando Amor...

    xD
    Fik c Deus

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  7. Eu sou tanta coisa que nem sei...
    Sou mar, e tenho toda a rebeldia inavisada dessas águas claras.
    Sou floresta, e tenho nos olhos essa cor-esperança.
    Sou borboleta, porque me recolho e me encasulo quando preciso mudar a cor das asas.
    Sou colorida, muito embora muitas vezes a vida tente impor um preto e branco.
    Sou vida. Intensa. Delicada e arredia. Sou.

    Beijos.

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Nem sempre escrevo por mim, muitas vezes escrevo para mim também...