13 de janeiro de 2011

Que Deus nos console e cure


Morreram todos.

Todos os que sonhavam e os que planejavam, morreram os amantes e os amigos, os inimigos e os desafetos.

Dissolveu-se o que era doce e o que foi salgado, e ao paladar só sobrou o amargo.

Da lembrança não se tem noção, e dos anéis não se encontrou a mão.

Sobrou tristeza, desamparo e desilusão.

Sobrou a dor silenciosa dos gritos histéricos da alma abortada.

Sobrou o nada e a destruição.

É nessa hora hora de solidão que a fé desencontra a razão e faz girar em nós a força estranha da solidariedade e do amor.

A solidariedade reconstrói, doa, ajuda, ampara, chora junto e refaz,

mas só o amor de Deus consola e cura.

5 comentários:

  1. "É nessa hora hora de solidão que a fé desencontra a razão e faz girar em nós a força estranha da solidariedade e do amor."
    Isso diz tudo.

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  2. Bonito poema, bonito-triste-doído-com abertura de portas - e a porta é a solidariedade - esse amor com nome de SOLIDARIEDADE. Um poema que bem podia ser uma oração aos desabrigados nas tragédias do Rio de Janeiro, São Paulo....

    Um abraço

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  3. alice, está sendo muito difícil ver as imagens dessa tragédia na tv. o teu texto é comovente e nos inspira à ajudar.

    abraços

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  4. Prezada Alice, em meio às dificuldades de compreender o que aconteceu, seu poema é um bálsamo. Parabéns!

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Nem sempre escrevo por mim, muitas vezes escrevo para mim também...